
Voltou a chuva. São algumas horas pela tarde dentro. O grupo tirou a malha e lançou-se ao tricot… As nossas gargalhadas misturam-se com a queda (simples) da chuva.
A Ana, vulgo, “médica da água” está a pôr soro fisiológico nos ouvidos da “enfermeira da água”. Incrível a capacidade que temos de fazer curtas-metragens com coisas tão insignificantes…
Acho que fiz a sesta mais longa da minha vida! Sonhei com casas de dimensões tão grandes, que rondam o disparate e a ostentação! Sonhei com as pessoas quase todas, conversei muito com toda a gente.
Levantei-me com um vazio estranho. Queimei o lixo e pensei que era a última vez. Ouvi música ao longe. Vozes de pessoas, principalmente de crianças, a encherem-me o pátio com a agitação festiva. A acústica de África a deixar segredos mal guardados nos interiores das casas…
Portas que se abrem e fecham já sem “olás”. Os nossos rostos a deixarem de nos surpreender. O cheiro incontornável das despedidas sine die para voltar.
Vou ver como estamos de água.
E estávamos muito mal. Já passa da meia-noite e acabámos agora de encher a última chaleira. Temos que esperar mais 40 minutos.
Hoje houve um ensaio para a festa de sexta-feira, a nossa despedida de Béli. Festa significa música e dança. Mais nada. E fazem-se milagres de convivência sã com estes motivos.
Sinto-me um pouco porquita porque hoje não tomei banho. Mandei as duas toalhas para lavar, sem perceber e, por isso, não tenho como me limpar. (Pobre Carina!).
Amanhã devem chegar dois representantes da DIVUTEC para nos levarem para Gabú, no sábado. Estamos todos a clamar por garrafas de água e notícias de casa! Penso que é unânime que, se não fosse por estas razões, todos ficaríamos de bom grado aqui, o resto do tempo.
Vou ver como está o fogareiro e talvez não volte cá hoje. Mas com as minhas insónias nocturnas… nunca se sabe…
Boa noite, Béli!
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