segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Agosto, 17



Se não fizesse isto diariamente, já me teria perdido na contagem dos dias, seguramente.

Hoje foi mais um dia de tensão entre mim e mim… e entre nós: eu e os mosquitos. Os mosquitos continuam a ganhar…

Falta uma semana para sair de Béli. Estamos cá há duas semanas, provavelmente as semanas mais longas das nossas vidas. As mais completas e das mais intensas, pelo menos para mim.

Não enviámos e-mails, por alguma razão que me escapa… não nos foi facilitada essa questão. Tínhamos, também, agendado um passeio com o pessoal do projecto dos alemães, mas não vejo carro… parece-me que será mais uma promessa adiada. Estes pequenos entusiasmos ocidentais não nos fazem falta nenhuma. Pelo contrário, só nos põem mal-dispostos.

Hoje vamos jantar grão. Acho que vou fazer um molho mais ou menos verde e volto já.

Pois… o jantar não correu grande coisa, mas estamos todos reunidos numa refeição complementar, daquelas em que rimos todos… menos a Carina. Ainda não se tinha dado.

Agora, vamos aos nossos vizinhos (o casal da alemã e daquele gajo do Panamá) a ver se nos dão água ou isso…

Deram água, sim senhora! E fresquita… Também comemos caju, pela primeira vez, o que é muito estranho, uma vez que estamos na terra que produz o melhor caju que alguma vez provei.

Incrível como só se fala de comida em terra de pobres! O medo da fome e da sede é constante. Não pela falta de resistência, porque poderíamos, em condições normais, ficar sem comer e sobreviver durante uma semana… O problema é que para nos mantermos afastados de doenças, convém que estejamos bem nutridos. É o mínimo, que me parece que já não estamos a cumprir.

Hoje conseguimos uma garrafa de água por pessoa… Deve acabar de manhã, uma vez que vamos dar uma volta pelo Sector.

E depois do primeiro jogo de cartas entre mulheres… Vamos dormir. A minha vontade era ir para a “rua”, mas não me apetece ser picada pelos bichos simpáticos desta terra, principalmente por cobras. E não é por nenhuma razão em especial… é só porque, já que aqui estou com tantas experiências e emoções novas, também gostava de ver se vivo para contar tudo direitinho. Estas e outras que hão-de vir.

Boa noite, Béli!

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