
O calor aperta, pelo segundo dia consecutivo sem chuva. Nem quero imaginar como será esta terra em tempo de seca! Estou no Djumberé, que é o lugar específico para se conversar. A palavra deriva do verbo “djumbaj”, que quer dizer “conversar”. Tudo aqui está organizado para o sentido comunitário e este local é dos meus preferidos, pelo simples facto de existir, pelo simples facto de se ter criado um espaço para a conversa. O Djumberé é dos locais mais frescos da tabamka. Trata-se de um coberto de colmo, redondo, como as casas, mas aberto, desde a cobertura até meio caminho do chão. Cá dentro, há uma mesa gigante, rectangular, igual àquela que nos levaram para a nossa sala para podermos trabalhar.
Os mosquitos têm tido dias de glória! As minhas pernas estão povoadas dos seus vestígios. Convém não pensar muito nas sequelas da coisa. O repelente está quase no fim e também não me parece de grande ajuda. O insecticida também já acabou. A nossa casa está prestes a ser tomada por insectos.
As contrariedades começam a gerar alguma indisposição no grupo. A isso juntam-se as inevitáveis saudades de casa. Eu, por exemplo, acordei há pouco mais de uma hora e já me irritei por duas vezes. Mas não é nada de grave, se percebermos que tudo está muito empolado e inchado pelo calor. Vou ler um pouco, a ver se passa…
Passou.
Entretanto, tive uma conversa com o Gheto em que lhe disse que tinha dois maridos e lhe expliquei o conceito de divórcio: “branco assina para casar, cansa, e volta a assinar para descasar”. Ele percebeu, mas achou muito estranho. Só ria.
Estamos a conversar com o Bucari, o jovem mais aberto da comunidade. Quando formos para Gabú, ele também vai. E irá trabalhar connosco. É um belo elemento. Muito moderado. Tam 26 anos e ainda não tem filhos nem mulher. Diz que gosta mais de Gabú do que de Béli.
Estamos todos a implorar rio, mas é cedo e temos água a ferver… Há que esperar, portanto…
Já volto a seguir à Fanta…
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