
Hoje quase não escrevia “hoje”.
Passa pouco das onze da noite. Estamos em Bissau na (agora quase excêntrica) pensão da avó Berta, que é muito parecida com a avó Emília e só hoje é que eu percebi porque me parecia tão familiar.
Foi muito estranho ter acedido ao e-mail… tinha apenas 3 mensagens para mim. Ou seja, de pessoas minhas, que queriam saber de mim…
Respondi a P. e enviei um mail para todos. Não sei se o último foi enviado.
Bissau é uma cidade muito desinteressante, como têm sido todos os lugares onde chegamos, mas depois tudo se transforma. Aqui, as pessoas valem, de facto, muito mais.
Acho que se o nosso trabalho fosse aqui, ou mesmo o tempo todo em Gabú, a relação entre as pessoas do grupo teria sido mais difícil. Eu, pelo menos, tenho menos paciência para determinadas atitudes e comportamentos… Mas isso sou eu. De qualquer forma, confirmo que a proximidade com as coisas idênticas à ocidentalidade quebram muito do encanto, da paz e da tranquilidade que me têm feito extraordinariamente bem.
A benjamim Carina parte amanhã. Acho que não se dá conta do mundo de transformações que se operaram nela… talvez só venha a descobrir daqui por uns meses. Fico contente por fazer parte desse mundo individual (dela), que se cresce e expande e emancipa.
Teremos todos saudades, certamente. Será difícil conceber as refeições sem a sua presença, os seus flashes histriónicos (ou melhor, os da sua máquina), sem a sua inteligência a emergir por frases inocentes e vastas, sem o seu sorriso perdido, sem os seus ataques de riso…
Espero que continue a descobrir-se com essa graça e simplicidade, na sua nova etapa na Finlândia.
Boa noite, Carina!
(Parabéns, N.! tentei ligar-te, mas não atendeste).
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