Falta um minuto para as sete da manhã. Acordei com indisposição e dores do período. Saí do quarto, dei uma volta completa à varanda (completa) da pensão da Avó Berta.
Nas ruas, os carros perseguem buracos de lama vermelha, e o ruído das rãs nocturnas foi substituído por o de outro animal, cujo nome e feitio (também) ignoro. O nosso “guia”, de nome Djulde (creio!), respondeu, de forma muito peremptória, à pergunta de todos: ”que pássaro enorme é aquele?” –“ ah… é um pássaro simples!”. Sinto que o dia que agora começa há-de ser tão simples como esse pássaro. Veremos.
Não sei bem quantas horas são. Não sei bem quantos dias se passaram hoje no tempo normal. Não sei bem se há padrões exactos e bem definidos para o tempo.
Chegámos a Béli de noite. Viajámos o dia todo. Os meus companheiros estão exaustos. Eu nem por isso.
Hora de saída de Bissau: 9 da manhã. Parámos em Gabú para almoçar e fazer compras.
Gabú é irrespirável.
Aqui respira-se a selva elegante de África. A fauna e a flora a passearem-se na passerelle de cinco idiotas brancos.
Estamos sentados à varanda da casa ainda inóspita. Recebemos as nossas primeiras visitas: o Mamute e o Uri. São ajudantes de mecânico, dizem. Dizem que nos vêm arranjar o motor que puxa a água. Há alguém a tomar mais um banho de “chap-chap”. Creio que é a Cátia.
Nada do que aqui se vê é, de alguma forma, reproduzível. Nem em fotos, nem
De qualquer forma, sinto-me bem aqui. Uma tranquilidade incomparável. Irrepetível, muito provavelmente. Tenho algum receio pelo que ainda falta vir. Todos temos. Todos sabemos que vamos resistir e insistir. “Todos” (agora que penso nisso) é uma palavra que me há-de acompanhar as próximas semanas.
Boa noite!
P.S – Só porque amanhã não será este o dia, convém criar esta adenda: o Hugo teve diarreia. Sofreu. Sofremos todos.
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