sábado, 29 de setembro de 2007

Agosto 11, 2º sábado


Passou uma semana sobre Béli.

Muitas dúvidas se desfizeram nesta semana. Já todos entrámos no ritmo e nas rotinas da comunidade. Eu continuo a deixar a sesta a meio, por causa do galo e, até a Carina já repete o meu pregão e diz a plenos pulmões:”O caralho do galo!”

Nesta semana, o Hugo teve diarreia, a Cátia uma reacção alérgica à mancara (amendoim) e a Ana teve um pouco de febre, ontem. Eu e a Carina aguentamo-nos estoicamente!

Numa semana bebemos as 25 garrafas de água que trouxemos de Gabú e, agora, temos mesmo que insistir para que o Gheto deixe ferver a água durante uma hora (a ver se ele deixa durante meia). Pedi ao Amadu para lhe explicar que não era esquisitice de branco e acho que ele percebeu. A água é uma preocupação constante, mas a comida também vai passar a ser. As capoeiras de Béli devem estar a acabar, embora o galo continue a cantar. Para além de galinha, comemos outra carne, que não cheguei a perceber do que se tratava, mas era boa. Parecia vaca. Talvez fosse, talvez não… Estou a ficar um pouco enjoada de carne e arroz. Hoje cozinhei o meu “arroz alegria” e todos agradeceram a macedónia de legumes que trouxemos de Gabú. De resto, já percebemos que vamos passar algum aperto na última semana.

Hoje saiu o toca-toca (transporte público que leva gente até aos pneus e que não é mais do que um jeep de 9 ou 12 lugares), e só volta na próxima sexta. O que quer dizer que a comunicação com Gabú será difícil até daqui a 2 semanas.

O Gheto chegou para carregar água. É impagável, a sua dedicação. A água fica num poço a uns 200 metros de casa, mas custa imenso a carregar. Às vezes, vêm umas mulheres ajudar.

Hoje temos que preparar e fazer um programa de rádio. A próxima semana deve correr (ainda!) melhor do que esta. Há muita coisa que não está a ser feita, porque o calor tira-nos imensas forças. Vamos lá a ver…

O meio da tarde não foi muito agradável porque nos confrontámos todos com algumas evidências desencorajadoras. O trabalho com os jovens não tem tido espaço, nem acompanhamento por parte dos parceiros locais. Dá a ideia que não há interesse e muitas informações sobre a caracterização deste público-alvo não nos foram passadas de forma suficientemente completa. Verifiquei um desânimo generalizado que, á hora a que escrevo, já está muito mais atenuado.

Fomos à rádio preparar o programa de amanhã de falámos com o Mamadu sobre a questão dos jovens. Talvez as coisas melhorem na próxima semana. Esperemos que sim.

Está toda a gente a trabalhar e a luz acabou agora mesmo… Já escrevo á luz de lanterna. Aqui pouca coisa basta para as experiências serem únicas.

Boa noite, África!

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