sábado, 8 de dezembro de 2007

Setembro, 12



Hoje é o aniversário do Amílcar Cabral. O acontecimento está a ser celebrado com uma marcha que percorre o país, desde Logajole até Bissau. Chamaram-lhe: “marcha da independência”. O ambiente nas ruas e na casa do nosso vizinho/anfitrião é festivo.

Ainda bem que aproveitei a manhã para fazer “coisinhas” porque agora chove “banana i manga” e não dá para sair de casa.

Mas mesmo sentada na varanda consigo ter imagens soberbas e (ainda) surpreendentes deste país. No campo de futebol, à minha esquerda, os putos chapinham com a bola na lama e conseguem, não sei muito bem como, encontrar-se entre a cortina baça que a chuva monta. Um guarda-chuva segue-os. Diz-nos o Bucari que é o árbitro, como se isso fosse um cenário óbvio. Os abutres arrastam-se em nuvens pelo terraço do governador. As palmas e os gritos sucedem-se na mesma casa.

Aqui visitam-nos pessoas. Sentam-se e ficam. Outras vão, quando têm que ir, nem que sejam já “quinhentas”. As emoções descongelaram. Estavam, afinal, ainda muito longe do que agora são. As reacções físicas começam a manifestar-se.

Acho que vou quebrar a regra e escrever este dia, amanhã, ou depois, ou… um dia, quando estas coisinhas forem fanadas (passo a expressão tétrica) pelo tempo.

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