
Fazem-se de emoções e contradições, estes últimos dias. A sensação de que o tempo já não correria veloz, voltou a trair-me. Falta muito pouco e o tempo foge-nos pelo canto suspenso dos olhares.
Hoje fomos ao ensaio para sair “até às quinhentas” e voltámos às onze e meia com a sensação de que eram, efectivamente, “quinhentas”!
A discoteca “JOMAVE” só funciona ao fim-de-semana. Passámos lá e até parece agradável… A pista é ao ar livre e hoje chove…
O Bucari já começou a lamentar a nossa partida. Para ele deve ser ainda mais difícil do que era para nós, suponho.
Tem sido um amigo. É um amigo. É provavelmente a pessoa em quem mais confiámos aqui e nem vinha referenciado… Dá-me esgares de generosidade excessiva. Aqui não tem qualquer hipótese e consegue viver com essa certeza. Tem uma consciência surpreendente e um sentido de humor, que só pode justificar a sua inteligência.
Estou a ficar cansada. Amanhã terei um dia de trabalho muito longo, com muita responsabilidade e, mais uma vez, vou ter que improvisar…
Salvam-me as décadas de prática na matéria…
Hoje encontrámos pessoas de Béli, que nos deram más notícias sobre o estado de saúde do Gto. Os soldados deram-lhe uma valente sova. A sua vida corre um risco grande. Segundo parece, está detido no quartel… O mais provável é que continue a ser maltratado. Justiça pelas próprias mãos é a lei vigente, não tenhamos (e não temos) ilusões. Mesmo que viva, o Gto será seguramente, abandonado pela sociedade. Acho que o ISU perdeu o seu cozinheiro/artista/louco.
A crueldade do ser humano está aqui no seu estado mais puro, lado a lado com a generosidade. Enfim, coisas imensas se passam neste continente imenso. E eu sofro imenso se não puder voltar.
Boa noite, África escura!
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