domingo, 2 de dezembro de 2007

7 de Setembro


7. Faltam 7 dias.

Hoje estou em êxtase, depois de um longo dia de trabalho. Acabámos agora mesmo de constatar que a nossa primeira noite de beber umas “jekas” até “às quinhentas” pode estar ameaçada pelo mephaquin. Mas já se resolve.

Os meus formandos de teatro são do melhor que se pode ter! Têm tudo: noção de cena, voz, movimento, perspicácia, astúcia, sensibilidade e ignorância q.b. Pela primeira vez faz sentido fazer sessões de teatro e não de Expressão Dramática. Fazem-me lembrar imenso o Rogério de Carvalho e isso é, definitivamente, muito bom. Devo ter estabelecido um “record” pessoal de construção de cena: 3 horas (ou 2) para mais de 10 minutos! E isto toma nuances de Olimpo, se acrescentar que o texto é improvisado in loco. Se tudo continuar a correr assim, terça-feira apresentamos uma peça, na cerimónia de entrega de certificados.

No momento em que falo destas coisas, cerca-nos o ruído do gerador e de alguns bichos nocturnos. Há quem leia, à minha volta, e entre essas pessoas há que apontar que, até o “Xerife” consegue ler sem levantar a voz. Agora chegou o Every (filho do governador) everyday, everytime, everywhere, there he is!:)

E pronto, é fim-de-semana e eu já estava mesmo a precisar.

Por vezes, fecho os olhos e imagino que estou em África: danço como se estivesse em África, cheiro os cheiros fétidos de África, respiro a brisa cálida de África, levanto o rosto exangue sob a chuva doce de África, adormeço nos braços imensos de África… Por vezes, abro os olhos e parece-me mesmo que estou em África!

Aprendi, aqui, a imaginar África. Imagino que sempre que os meus olhos se fecharem, verei África entre o teu rosto e talvez dance no interior do teu olhar.

Boa noite, meu Amor!

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